26/02/2010
Rio lidera consumo de cerveja e de chope no país
Boêmios consomem anualmente 105 litros no Estado; SP tem a 4ª marca

Bares chegam a vender até 16 mil litros de chope no mês; ranking é do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja com dados de 2008
FÁBIO GRELLET
DA SUCURSAL DO RIO
"Com esse calor, só um chope para aliviar", diz o engenheiro Sérgio Bourguignon, 44, enquanto saboreia a bebida em um bar da zona sul do Rio.
Os números confirmam que, mesmo antes do verão em que a sensação térmica de 50ºC tornou-se comum, os cariocas já lideravam com folga o consumo da bebida.
O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja confirma que no Rio é onde se bebe mais chope no Brasil: cada morador do Estado bebe por ano 105,5 litros de cerveja ou chope.
No Estado de São Paulo, o consumo anual per capita é de 68 litros -isso corresponde à quarta maior marca, atrás de Tocantins (90 litros por pessoa) e Mato Grosso do Sul (71,9 litros). Os dados se referem a 2008 -depois, a divulgação do volume de vendas foi restrita.
"No Rio, o clima é de praia, o pessoal vai ao bar de bermuda e chinelo e não dá para tomar vinho ou uísque. É impossível ficar sem chope", diz o estudante Eduardo Ferreira, 23, enquanto entorna a quinta caneca.
A turismóloga gaúcha Mariana Nery, 28, confirma a influência do clima carioca.
"Quando morava no Sul, raramente tomava chope. Preferia vinho, mas só tomava de vez em quando", diz.
"Desde que vim para o Rio, tomo chope pelo menos três vezes por semana", calcula Nery, afirmando que hoje bebe mais do que antes de se mudar para a capital fluminense.
Aumento no consumo
Famoso pelo bolinho de bacalhau, o Bracarense, no Leblon (zona sul), informa que vende 16 mil litros de chope por mês, em média.
O Belmonte, no Flamengo, um bar de menos de 100 m2 também na zona sul e sempre lotado, chega perto: vende 15 mil litros ao mês, segundo o proprietário, Antônio Rodrigues. Os seis bares da rede comercializam 55 mil litros da bebida por mês.
"Quando comprei o bar, em 2000, vendia 2.000 litros de chope por mês. Em 10 anos, aumentei para 15 mil litros e abri cinco unidades", diz Rodrigues.
Segundo o proprietário da rede, os paulistas são melhores clientes por serem mais educados e gastarem mais.
"O carioca acha que tem mais intimidade com o garçom e às vezes perde o respeito. O paulista tem mais educação considera o Rio barato, porque em São Paulo as coisas são mais caras", argumenta. "Um chope que lá custa R$ 5,50 sai por R$ 4 aqui", exemplifica.
A maioria dos clientes é mulher, de acordo com Rodrigues. E a presença feminina é decisiva para atrair o público masculino. "Ninguém vem ao bar para olhar a parede, né?"
Contrariando o hábito carioca de tomar chope sem colarinho, o dono do Belmonte decreta: "Nos meus bares, chope tem dois ou três dedos de colarinho. E todo mundo aprova, porque o colarinho garante melhor sabor à bebida. Chope sem colarinho é só em bar onde o garçom não sabe servir."
Sobre a afirmação:
"E a presença feminina é decisiva para atrair o público masculino. "Ninguém vem ao bar para olhar a parede, né?"
É... Ninguém vai ao bar para olhar a parede. Nós gays, geralmente bebemos chopp, reparamos na decoração do bar e ainda flertamos com os bofes presentes e o garçom bonitinho... Presença feminina? Nossas mães, irmãs, primas e amigas... Hahaha! É ou não é?
Ex-apresentador britânico que admitiu ter matado amante é preso
Da AFP
O ex-apresentador britânico de rádio e televisão, Ray Gosling, que admitiu ter asfixiado o amante em fase terminal de Aids foi detido em 17 de fevereiro de 2010.

O ex-apresentador de TV, Ray Gosling
Durante um programa da BBC consagrado ao suicídio assistido, exibido em 15 de fevereiro de 2010, Ray Gosling confessou ter abreviado os sofrimentos de um homem - não identificado -, hospitalizado em estado grave "na época inicial da epidemia da Aids", provavelmente nos anos 1980.
Segundo um porta-voz da polícia de Nottinghamshire, onde vive o apresentador de 70 anos, ele foi detido por suspeita de assassinato.
A confissão de Ray Gosling, conhecido por seus documentários de temática social para a BBC, põe mais um ingrediente no debate sobre a autorização ou não da eutanásia para pessoas com doenças terminais na Grã-Bretanha.
No início do mês, o popular escritor Terry Pratchett, doente de Alzheimer, propôs que se criem tribunais de eutanásia com o poder de autorizar as pessoas próximas aos doentes incuráveis a ajudá-los a por fim em sua vida.
"Em um hospital em uma tarde quente, o médico disse ´Não podemos fazer nada´, e ele estava com dores terríveis", disse no programa, exibido na segunda-feira.
"E eu disse ao doutor: ´Deixe-me só um momento´ e ele se foi", explicou antes de afirmar: "Peguei o travesseiro e o asfixiei".
Gosling disse na terça-feira em uma emocionada entrevista à rádio BBC que matou seu ex-amante em cumprimento a "um acordo".
"Tínhamos um acordo que se chegasse a esse ponto eu terminaria com sua vida, e foi o que eu fiz", explicou.
Justiça
A morte assistida é ilegal na Inglaterra e no País de Gales, e pode acarretar penas de até 14 anos de prisão.
A Justiça britânica contribuiu em setembro passado com algumas soluções para esta lei ao anunciar que as pessoas que ajudam alguém próximo a morrer provavelmente não enfrentarão ações judiciais se esse gesto for motivado pela compaixão ou se o desejo do doente não deixar lugar à dúvidas.
Mas os defensores da eutanásia pedem ainda mais clareza. Os opositores, no entanto, afirmam que qualquer modificação da lei colocaria os doentes graves ou terminais em uma posição vulnerável.
Nelson, o ex-covarde - Literatura - Crítica
Crítico afirma que coragem de Nelson Rodrigues ao pensar contra sua época foi a responsável por ensaios que irão permanecer
RAFAEL CARIELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Nelson Rodrigues em entrevista em 1980, ano em que morreu
O maior dramaturgo da história do país foi também seu maior ensaísta e um dos principais intérpretes da sociedade brasileira, talvez o melhor da segunda metade do século 20. Em suas "confissões", crônicas de jornal publicadas entre o final dos anos 60 e início dos 70, aparece "uma das melhores expressões literárias de diagnóstico do nosso tempo". "Para ombrear com ele, no Brasil, talvez apenas Carlos Drummond de Andrade na poesia."
As afirmações aparecem em "Inteligência com Dor - Nelson Rodrigues Ensaísta", de Luís Augusto Fischer, crítico literário e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A ênfase -rodriguiana, como observa o colunista da Folha Marcelo Coelho na contracapa do livro- pode parecer desmedida. Por que seria necessária? As peças teatrais de Nelson há décadas não carecem desse tipo de defesa. Mas o arroubo é comum entre os leitores que têm descoberto a obra em prosa do autor desde que ela foi reorganizada por Ruy Castro, no final dos anos 80.
A causa do fenômeno talvez esteja no desejo de cada leitor de resolver a contradição íntima que resulta do contraste entre a aparente fragilidade da crônica, gênero jornalístico, tido como superficial, a que o pensamento de Nelson está associado, e seu texto arrebatador, corajoso, que continua a fazer pensar muito depois de fechado o jornal -ou o livro.
É daí que parte Fischer. Seu esforço está em resolver essa aparente contradição e apresentar padrões de comparação que lhe permitam fundamentar juízos de valor sobre os textos reunidos em obras como "A Menina sem Estrela" ou "O Óbvio Ululante".
Ele recorrerá à tradição ensaística ocidental desde Michel de Montaigne (1533-1592) para mostrar que Nelson, na verdade, não faz crônica. Este é um gênero menor, diz Fischer, certamente aparentado ao ensaio, mas que para ele perde em qualidade reflexiva, em humor (a crônica é apenas "cômica") e em maturidade existencial.
No caso brasileiro, tanto a melhor crônica quanto a obra de Nelson são sintomáticas de uma época. O país passou por um processo acelerado de urbanização, de imigração interna, de mudanças constantes e intensas no período em que Rubem Braga, por exemplo, publicava seus textos.
Mas a crônica, diz Fischer, não faz mais do que manifestar o mal-estar do cronista diante da velocidade da mudança. Toma o partido do passarinho, digamos, contra a ferocidade e a violência da cidade.
Nelson parte desse mal-estar para refletir sobre o processo em curso. Faz o diagnóstico, no calor da hora, do avanço da sociedade de massas, e toma o partido do indivíduo. Assim como Montaigne, em outra época conturbada, o Renascimento, ajudou a criar o indivíduo e seu pensamento independente.
O brasileiro, mais ainda, tematiza essa oposição. Ele afirma sua individualidade contra a ditadura do consenso, da multidão, dos "idiotas" em vantagem numérica. Contra a valorização da juventude, do novo (em sintonia com a época de mudanças), ele afirma os direitos da maturidade e tematiza o seu próprio processo de aprendizagem. Confessa suas covardias, suas dúvidas, suas hesitações, e delas faz matéria de reflexão.
Isso é o ensaio, afirma Fischer, em seu livro.
Daí Nelson se dizer um "ex-covarde", quer dizer, um indivíduo que finalmente se arrisca a pensar por si próprio, contra o seu tempo. Por isso mesmo seu valor e sua permanência, diz o crítico, estão assegurados.
INTELIGÊNCIA COM DOR
Autor: Luís Augusto Fischer
Editora: Arquipélago Editorial
Quanto: R$ 39 (336 págs.)
Autor: Luís Augusto Fischer
Editora: Arquipélago Editorial
Quanto: R$ 39 (336 págs.)
Fonte: Folha Online
Dilma redesenhada
ELIANE CANTANHÊDE
Dilma redesenhada
BRASÍLIA - Lula aproveitou o congresso do PT para desenhar, linha por linha, o perfil da candidata Dilma Rousseff. Potencializou suas qualidades, transformou eventuais desvantagens em virtudes e voltou para o Alvorada sabendo que a militância iria decorar a lição para a campanha.
Se a direita, principalmente a direita militar, não cansa de chamar Dilma pela internet de "guerrilheira", Lula foi carinhoso ao falar da "menina que arriscou a própria vida" em defesa da democracia.
Se prevalece a percepção de que Dilma não foi uma opção, mas escolhida por exclusão (depois da queda da cúpula e dos presidenciáveis naturais do PT), Lula tratou de dizer que estava de olho nela havia muito tempo, desde quando discutia a questão energética e via aquela mulher ali, aplicada, competente, agarrada ao seu laptop.
Se a oposição, tucanos e democratas à frente, não cansam de bater na tecla de que ela mente, citando os casos da ex-secretária da Receita, do dossiê contra FHC e do diploma inflado, Lula tratou de corrigir: ela é um poço de sinceridade.
E se os próprios governistas consideram, por baixo e às vezes por cima dos panos, que Dilma é arrogante e mandona, a ponto de gritar com ministros, presidentes de estatais e assessores em reuniões, Lula transformou esse, digamos, probleminha, numa grande qualidade: é que ela é perfeccionista em tudo o que faz, aprende tudo em uma semana e exige dos outros o que exige dela mesma para bons resultados.
Desenhada a candidata, Lula pôs-se a ditar também a política de alianças. Com ele ali, do alto de sua imensa liderança e popularidade, quem iria vaiar o PMDB, representado por Michel Temer, Edison Lobão e Hélio Costa?
Sarney e Henrique Meirelles, porém, não foram. É que a turma petista digeriu bem a nova Dilma e tinha de engolir o PMDB, mas pedir para não vaiar Sarney e o BC seria um pouco demais, não é?
Fonte: Folha Online
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25/02/2010
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